Heloísa, 40 anos, é uma advogada negra recém-separada que enfrenta a exaustão entre o trabalho burocrático, os estudos para o concurso de juíza e o cuidado da filha Sofia, 6, abalada pela separação e por episódios de racismo na escola. Para se reaproximar da menina, matricula-a em uma escola de dança, onde conhece a dança afro-brasileira e descobre no corpo uma fonte de ancestralidade e liberdade transformadora. A amizade com a professora e um interesse romântico a conduzem ao candomblé, espaço de acolhimento e pertencimento. Quando o terreiro sofre um ataque de intolerância religiosa, Heloísa se engaja na luta por justiça, ressignificando seu desejo de ser juíza: agora, determinada a fazer diferença no mundo. Mesmo quando tudo parece forçá-la a escolher entre a carreira e a dança, vivencia o sonho ancestral de ser tudo o que quer. Passos de Liberdade é um drama sobre afeto, pertencimento e transformação, que revela a potência do corpo e da fé na construção de identidades.
Frevo Meu
Ana, feirante de 42 anos, vê sua vida mudar quando o marido a impede de ir ao cortejo do Vassourinhas. Esse ato de violência simbólica a leva a romper um ciclo de abusos e buscar autonomia. Com as duas filhas, encontra refúgio na casa do irmão músico e descobre no trabalho e na dança caminhos de libertação. Entre mercados, ladeiras e escolas populares de música, o frevo deixa de ser apenas festa para se tornar identidade e resistência. Nesse percurso, conhece Gabriel, um jovem tubista, com quem constrói uma relação de respeito e parceria, distante dos padrões de posse e controle. Recife e Olinda não são apenas cenário, mas corpo vivo que pulsa junto à transformação da protagonista. “Frevo Meu” é um drama sobre cultura popular e emancipação feminina, onde dançar é também um ato político e de renascimento.
Flor de Concreto
Flor de Concreto acompanha Lia, 19 anos, entregadora negra que cruza o Rio em sua bicicleta enquanto tenta sobreviver e alimentar seu talento secreto para o desenho e a pichação. Sua vida muda ao conhecer o Galpão Mukunã, espaço cultural autogerido na Pequena África, onde seu traço chama a atenção de Rogê e floresce sob o acolhimento de Helena e Isis. A flor-de-são-joão, símbolo que Lia desenha desde criança, toma as paredes do galpão e das ruas, tornando-se extensão de sua voz. A chegada de Rafael, jovem policial dividido entre a rigidez da corporação e a vitalidade do Mukunã, cria um elo tenso e transformador. Quando o espaço sofre ameaça de despejo, a comunidade reage com um grande mural coletivo na véspera da reintegração. O confronto explode; uma imagem viral de Lia e Rafael interrompendo a tropa mobiliza a sociedade. Após negociações, o Mukunã reabre sob gestão compartilhada. É entre concreto, arte e afeto que Lia entende que a cidade tenta apagar — mas a comunidade insiste em florescer.
A Família Perfeita
Davi, revelação do futebol carioca, tem a carreira e a vida viradas do avesso quando começa a namorar Ísis Monteiro, influenciadora que transforma o casal em produto milionário. A imagem pública se fortalece, mas tudo desaba quando Davi engravida Mariana, uma jovem da comunidade. Para evitar o escândalo, Ísis e a mãe localizam Mariana e a confinam em uma casa de apoio ligada ao projeto social da influenciadora. Lá, um parto negligente provoca sua morte, e o bebê é registrado como filho legítimo do casal. Sem notícias da irmã, Tatiana inicia uma busca persistente e procura Davi, acreditando que ele pode ajudar. Sem coragem de revelar a verdade, Davi permite que ela se aproxime e contrata Tatiana como babá — sem saber que cuida da própria sobrinha. Quando Ísis descobre quem ela é, a demite para silenciar o risco. Pressionado pela culpa e pela determinação de Tatiana, Davi enfim rompe o silêncio e denuncia o crime, destruindo a fachada da “família perfeita”.
Menino/Menina
"Menino/Menina" conta a história de André, um jovem de 17 anos que, no auge da adolescência, descobre ser intersexo. Criado como menino, depara-se com a difícil decisão de fazer reposição hormonal e desenvolver características femininas. Sua família, na tentativa de protegê-lo, escondeu essa informação, mas acabou limitando seu desenvolvimento e sua autonomia como consequência. Agora, a descoberta transforma sua identidade, afeta seus relacionamentos e muda sua forma de enxergar o mundo. Ao longo dessa jornada de amadurecimento, André enfrenta a rejeição do melhor amigo, Rodrigo, mas, por outro lado, conta com o apoio incondicional de sua amiga, Fernanda, e dos pais. Com a orientação firme da médica, Dra. Natália, e o suporte de um grupo de acolhimento, André segue em busca de seu final feliz: ser aprovade no Enem, voltar a jogar vôlei e, enfim, viver um romance.
Mais que Vencedoras
Em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, a quadra de um colégio estadual está rachada e dominada pelos meninos. O time feminino de handebol treina em horários emprestados, sem apoio e com material gasto. Raiane, 16 anos, capitã insegura, encontra na professora Simone sua principal fonte de força. Contra todas as expectativas, as meninas surpreendem no Intercolegial, conquistam vitórias e ganham torcida. Mas a craque do time desmaia em quadra e descobre estar grávida, afastando-se da competição. A equipe começa a perder jogadoras até restarem poucas. Surge então um pacto: jogar pelo enxoval do bebê. Entre treinos, as jovens reformam a quadra em mutirão com apoio da comunidade, garantindo melhores condições. Na semifinal, Raiane encontra sua voz e lidera uma virada improvável. Na final, perdem no placar, mas ganham no coração da cidade. O time adversário doa o prêmio à jovem grávida, e o campeonato se torna símbolo de fé, união e sororidade.
Uma Maranhense
No Maranhão do século XIX, Maria Firmina dos Reis, mulher negra e autodidata, desafia o racismo e o machismo de sua época para se tornar a primeira romancista abolicionista do Brasil. Em meio a saraus da elite e aos sons do bumba-meu-boi, ela escreve clandestinamente o romance Úrsula, denúncia da escravidão que abala a sociedade. Sua obra a coloca em confronto com poderosos homens que tentam silenciá-la. A ascensão de Maria é uma batalha constante, marcada por segredos de sua vida pessoal e ameaças à sua liberdade. Para garantir que sua voz e a de seu povo não sejam esquecidas, ela terá de arriscar tudo.
Fé no Asfalto
Em uma casa simples na Vila da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, Maria Clara cresce sob o olhar vigilante dos pais: Márcia, pianista do coral, e Carlos, técnico de som e cadeirante desde que sobreviveu a um assalto. A rotina é regrada, centrada na igreja e na tradição musical da família.
Mas Maria Clara sonha com outro tipo de palco — o das ruas, das rimas e do skate.
Quando conhece Henrique, jovem instrutor de skate e músico de hip hop, seu universo se abre para novas linguagens e afetos. O encontro desperta nela o desejo de viver a fé de forma autêntica, não como herança, mas como escolha.
Entre descobertas, mentiras e rupturas, Maria Clara precisará confrontar os pais, o medo e a culpa para trilhar o seu próprio caminho.
Ao redor, a cidade pulsa — entre igrejas, muros grafitados e pistas de skate, Fé no Asfalto é o retrato de uma juventude que busca lugar no mundo sem abrir mão de suas crenças.
Uma história sobre segunda chance, reconciliação geracional e o poder transformador da arte.
Quando a Fantasia Acaba
No início dos anos 2000, o carnaval carioca é transformado pela explosão dos Bate-Bolas, em que turmas rivais disputam prestígio com arte e espetáculo. Romeu, integrante do Bando Macbeth, divide-se entre o tráfico, o cuidado com o filho pequeno e a paixão pela folia. Na comunidade vizinha, Júlio, dos Guerreiros, estuda e ajuda a mãe costureira a confeccionar fantasias. Após um confronto que termina em morte, Romeu recebe a missão de matar o suposto responsável. Mas ao chegar à loja de Júlio, o encontro desarma a violência e desperta um desejo inesperado. Apaixonados em segredo, enfrentam códigos de rua, preconceito e a pressão dos grupos. No auge do carnaval, Romeu decide se revelar ao lado de Júlio, mas o gesto é interrompido pela repressão policial. Um ano depois, Macbeth e Guerreiros saem juntos em homenagem aos dois, transformando a rivalidade em memória e resistência.
O Bonde da Quinta
“O Bonde da Quinta” é um longa-metragem de ficção sobre a jornada de amadurecimento de um inseparável grupo de amigos pré-adolescentes, em 2011, uma era livre do excesso de telas. A protagonista, Moira, e sua melhor amiga, Maju, treinam assiduamente para passar pela peneira de um time de futebol do bairro. No tempo livre, elas jogam um pouco mais em peladas com os amigos Alan, Arthur e Emerson. O principal cenário é a Quinta da Boa Vista, com seus campinhos, lagos, museus, zoológico e vias sinuosas por onde emergem experiências marcantes. Ali, eles encontrarão novos amigos e alguns inimigos, além de adversidades capazes de testar os limites da amizade. Entre desafios, frustrações e emoções típicas da idade, eles aprenderão a driblar o imponderável, explorando as brechas para o sonho e a fantasia. Assim, vivem no subúrbio carioca vivências que correspondem às periferias mundo afora, descobrindo valores universais como resiliência e lealdade, enquanto formam suas próprias identidades.